sábado, 28 de abril de 2012

Não espere ter boas razões para se feliz


Certamente você deve ter em seu círculo de amizades alguém que sempre foi o ‘engraçadinho’ da turma. Eu tive várias. Homens, mulheres, crianças e até velhinhos piadistas.

Algumas dessas pessoas ficaram por um período em minha vida e depois nossos caminhos tomaram rumos diferentes. Por consequência, passei a rir menos e sinto uma saudade inquietante de algumas delas.

Outras, porém, por razões que só o destino pode explicar, traçaram o mesmo caminho que eu, fizeram parte da minha rotina, de fases da minha vida, dos meus momentos de riso, ou de choro, e atenderam prontamente o meu chamado amigo quando se fez necessário... Eu costumava dizer sobre elas, ‘aquela amiga doida’ ...(Não sei bem por quê mas chamamos assim as pessoas mais extrovertidas que conhecemos)...Mas era uma loucura saudável, era a loucura que dava graça à minha vida...Talvez eu adotasse essas pessoas como amigas pois encontrava nelas algo que geralmente falta em mim – um pouco de senso de humor. prontoconfessei#

Mas agora vem a parte sem graça nenhuma dessa história..E isso se deve, especificamente, a presença de um destes ‘personagens’ da minha vida.
Outro dia, vi um vídeo pela net no qual durante uma cerimônia de colação de grau os formando homenagearam um amigo que havia recentemente descoberto um câncer.
Este rapaz não foi o primeiro exemplo que vi de pessoas que, acometidas por esta doença, teve sua personalidade traçada por  amigos e familiares como uma pessoa muito feliz, sempre alegre, sorrindo e fazendo todos sorrir.

E aí entra a pessoa de quem estou falando...Assistindo ao vídeo me lembrei dela...Assim como o menino formando...no auge de sua juventude, exercitando seu dom de desabrochar sorrisos em qualquer um,  era também uma “uma pessoa muito feliz, sempre alegre, sorrindo e fazendo todos sorrir”, e, também , descoberto esse tal de câncer.

É certo que, no momento que passamos por dificuldade, somos vistos como uma espécie de santidade, então, é completamente compreensível que as pessoas lembrem o lado bom de cada um que passa por momentos como estes. Mas me peguei pensando se em algum momento antes de estrearmos neste universo, nossas características já são escolhidas a fim d que em algum momento nos seja muito útil, imprescindível. Será que estes dois guerreiros, se não fossem exatamente como são, seriam capazes de desafiar todos os seus limites para vencer esta luta?
Não sei. Mas tenho certeza que isso não fez  minha amada e querida personagem perder seu bom humor...e posso assegurar que continua sendo uma das pessoas mais felizes que eu pude conhecer.E tenho testemunhas...

E se tivéssemos que ter motivos para ser feliz, talvez ele não seria TÃO feliz.Nenhum de nós seriamos pois sempre existirão dificuldades, mas acho que é pra manter o equilíbrio das coisas.E embora esteja passando por esta fase de ato reconhecimento, busca pela força, descoberta da fé sem limites, continua nos fazendo sorrir. Óbvio que há momentos de fraquezas, mas nunca de desistência. E isso é um tapa na minha cara toda vez que me vejo reclamando de coisas tão pequenas...

Desde q me vi nesse mundo, convivemos juntas. Apesar de sermos muito diferentes em questão de personalidade costumávamos ter roupas iguais na infância, uma vez que nossas mães compravam tudo na mesma loja.Conforme crescemos, nos aproximamos, trocávamos confidências, e estreitamos nossos laços,Depois, na vida adulta, o contato era um pouco mais raro - trabalho, estudos, namoros, enfim, coisas da vida adulta nos tornaram ocupadas demais-.. mas nunca deixou de existir.

E nesse processo de transição adolescência>>vida adulta, ela nunca teve medo de nada. No quesito amor, se apaixonava tanto e tão intensamente e em tão pouco tempo que chegava a ser MUITO engraçado. (Será que ela vai ficar brava por eu ter dito isso =/ ?)Mas a vantagem é que a mesma agilidade q ela tinha para amar, ela também encontrava para DESAMAR. Qualidade invejável principalmente quando se leva um pé na bunda. Mas pé na bunda nenhum fez ela chorar muitos dias!! E depois de, talvez um mês, já tinha um novo e ABSOLUTO amor. Aquilo que chamamos de a fila andar, ela sempre soube faze muito bem.

Mas depois de tantas emoções vividas, descobrimos todos juntos que sofrer por amor não era tão ruim assim, e que tantas outras coisas que dávamos uma enorme relevância não é nada perto do fato de lutar por sua vida. Lutar mesmo, como um guerreiro, que mesmo ferido, faltando forças, não pensa em desistir.
Além de todas outras coisas que ela me ensinou ao longo de nossas vidas, agora assistindo e participando como figurante dessa historia, sem querer querendo ela tem me ensinado muito mais.

Acho que fiquei mais corajosa com ela, perdoei meus egoísmos, minhas futilidades, minhas  preocupações mais irrelevantes, e passei a enxergar a complexibilidade da vida, que  está além do material, do orgulho, da ambição, de um vitrine cheia de roupas e sapatos lindos, da falta de dinheiro, e aprendi até a me tornar mais bem humorada.
Não faças do amanhã
o sinônimo de nunca,
nem o ontem te seja o mesmo
que nunca mais.
Teus passos ficaram.
Olhes para trás...
mas vá em frente
pois há muitos que precisam
que chegues para poderem seguir-te.



Talvez, em alguns momentos, ávidos pela resposta para nossas perguntas - por quê (?)- nos esquecemos de reconhecer o “ Pra quê” algumas coisas acontecem.

Em certos momentos alguns detalhes inevitavelmente fugirão do nosso controle, mas devemos prontamente vestir-nos de coragem e força para lidar com contratempos no meio do caminho,  provações que Deus permitiu que passássemos para o nosso crescimento espiritual e pessoal e para nos tornarmos pessoas melhores.

Tenho certeza de que, quando tudo isso acabar, ela não será mais a mesma, sua alegria de viver ser multiplicada em mil. E estarei pertinho dela pra continuar me contagiando e pegando carona  nos seus sorrisos.

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