Tenho prestado atenção no comportamento de algumas mães. Mulheres que não sucumbem a qualquer capricho da vida, mas que não suportam e nem sempre sabem lidar com o fato de ver os filhos caminhando sozinhos.
Sim, todas elas sempre dizem aos quatro ventos que querem mais é que os filhos sejam independente, bem sucedidos, e etc, mas daí, é só ver eles saindo pela porta de vossas casas, que o coração entra em prantos, o sistema nervoso em colapso.
Lá estão as fortes guerreiras sangrando por dentro.
Não adianta dizer que criam filhos para o mundo, não adianta lembrá-las de que um dia ela fora tambem causadora desta dor. Elas simplesmente não conseguem enxergar nada além do que está a sua frente. Elas só enxergam na ilusão de suas cabeças super protetoras que filhos vão para nunca mais voltar.
Eu digo, na condição de filha que já foi, que nunca deixaremos de estar.Filhos criados por pais presentes,(as vezes até demais) mesmo sem querer, cedo ou tarde se pegam ali, na dependência afetiva do maior amor do mundo.
Mas as mães precisam se convencer de que conheceremos amores diferentes. De que a vida nos apresentará atraentes programações e que isso fará com que nosso lugar à mesa fique vago no almoço de domingo. O que não significa que não sejamos filhos bons, ou que não as amamos o suficiente. (Caso não saibam, nós não imaginamos nossas vidas sem vocês), significa apenas que crescemos, e que criamos a partir de nossas experiencias, novos laços, preferencias, criamos a necessidade de querer mais. Significa que o ciclo da vida resolveu se apresentar mesmo a contra gosto e o que ele quer dizer é que, precisamos ir e caminhar sem vocês.
Acreditem, também sofremos, também temos inseguranças, as vezes tambem queremos ficar. Encontrar em seu colo o conforto que o mundo não nos oferece. Nas suas palavras o reconhecimento (ou soh a corujice mesmo) que nos enaltece, nos faz sentir grande, forte, foda. Mas para crescer, para ser quem sabe um dia como você, precisamos encontrar quem nos faz tremer na base, quem nos desafie, quem nos cobre, precisamos desse oposto para nossa própria superação. Precisamos conhecer caminhos que você não trilhou, andar por becos, ruas escuras. Precisamos do desconhecido, do novo, da mudança. Para isso, precisamos também nos ausentar fisicamente.
Mas peço, com o coração de uma filha que teme não ser boa filha, e se cobra todos os dias por isso: Não nos peça pra ficar. Não nos faça sentir medo. Continue a nos dar o seu amor e nos encoraje a ir, com a certeza de que se precisar, temos pra onde voltar. Mas nunca com a sensação de que ir não é uma boa escolha. Pois quando os filhos estão de partida para um mundo novo, acreditem, tudo que eles menos querem é partir o seu coração.
